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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Lei obriga emissoras de Belém a tocarem carimbó

Foto: Ascom/Câmara
Promulgação na Câmara Municipal incluiu homenagem a Dona Onete.

A inserção do carimbó nos programas das rádios de Belém passa a ser obrigatória com a lei municipal nº 9.276, denominada Lei Pinduca, promulgada ontem pela Câmara Municipal. Pelo texto, em seu artigo 1º, as rádios serão obrigadas a incluir o carimbó diariamente em sua programação pelo menos uma vez em cada um dos turnos da manhã e da tarde, no horário comercial, ressalvando-se da obrigação as rádios de programação exclusivamente religiosa.

Autor do projeto, o vereador Mauro Freitas (PSDC) informou também, durante a solenidade, que já está em tramitação na Casa um projeto que propõe a destinação do Palacete Pinho para a instalação do Museu Paraense de Cultura. Já denominada “Momento do Carimbó” a inserção nas rádios de canções típicas do Pará foi oficializada em solenidade durante a qual a cantora e compositora Ionete da Silveira Gama, a Dona Onete, recebeu medalha e diploma de mérito cultural Mestre Verequete, pelo trabalho de divulgação da cultura regional que a artista paraense vem realizando.

Além da cantora e do compositor Pinduca, a cerimônia contou com a presença de Augusto Rodrigues, filho do Mestre Verequete, e das principais expressões do carimbó no Pará. O reconhecimento traduzido na lei que leva seu nome é motivo de orgulho para Pinduca, que já incorporou o título de Rei do Carimbó. “A Casa usou meu nome sem me falar nada. É aí que está a beleza da coisa. Fui surpreendido com o convite”, disse o cantor, que comemora 38 discos gravados e divulgados no Brasil e no mundo.

Para a família do Mestre Verequete, a Lei Pinduca é um grande avanço na valorização do carimbó. “A nossa cultura vai ser ainda mais valorizada com essa lei, que obriga as rádios a tocar nossos ritmos paraenses, um ritmo tão gostoso como o nosso carimbó, tanto o eletrificado quanto o carimbó de raiz. A gente espera que isso dê um incentivo muito grande a outros grupos que estão lá atrás, estão esquecidos e outros surgirem para o bem desse ritmo que é patrimônio cultural do Estado”, disse Augusto Rodrigues.

Aos 77 anos, Dona Onete comemora o sucesso e o reconhecimento com a sabedoria de quem lutou muito para conquistar espaço e aproveitou o momento para reforçar na Câmara Municipal o pedido já feito ao prefeito Zenaldo Coutinho, por um espaço que possa ser destinado ao museu da música paraense. “Eu pedi ao prefeito que destinasse o Solar da Beira, mas os vereadores pensaram num lugar até melhor, que vai poder receber não só a história da nossa música, mas também dos nossos escritores, dos nosso pintores. A ideia é que também seja um lugar de pesquisa”, explicou.

Autor do projeto diz que ouvinte deve pedir para ouvir ritmos do Pará 

Para o vereador Mauro Freitas, a população pode e deve contribuir para fazer valer a nova lei. “Daqui a alguns dias, com a publicação no Diário Oficial, a Lei Pinduca estará valendo e estaremos na luta para  incluir nosso carimbó em todas as rádios AM e FM e rádios comunitárias do nosso município”, disse ele. Segundo o vereador, que se disse satisfeito e orgulhoso pela promulgação da lei ter ocorrido na sua gestão como presidente da Câmara Municipal, o ouvinte deve ligar para as rádios e pedir para ouvir carimbó. “É o nosso momento de fazer valer a nossa vida, a nossa história e não podemos deixar passar”, afirmou Freitas.

A Lei Pinduca também teve a aprovação e o apoio do Sindicato dos Radialistas do Estado do Pará. De acordo com o diretor Frank de Castro, a expectativa agora é que as rádios abram mais espaço para os ritmos regionais. “Fico triste de precisar de uma lei para conseguir isso. Mas que bom que tem pessoas que se sensibilizam com a necessidade de ter uma lei para que as rádios possam enfim tocar não só o carimbó, mas o nosso siriá, o nosso lundu, o samba de cacete, o banguê, tantos ritmos que são do Pará, mas infelizmente não têm o reconhecimento necessário nas rádios paraenses”, disse o radialista. Ele garantiu que o sindicato vai acompanhar e incentivar as emissoras a cumprirem a lei.

Durante a homenagem, Dona Onete ressaltou o destaque que o carimbó vem conquistando pelo mundo afora. “Eu estou muito feliz com essa lei, por levar o nome do Pinduca, que também luta muito, que também já foi muito criticado. Ninguém sabe como é difícil o carimbó ser tocado. E ele já tocava, já fazia shows e viajou muito também. Agora chegou a vez da Dona Onete levar o carimbó para fora do Brasil, o que eu venho fazendo e explicando pra todo mundo o que é o pitiú”, brincou.

Sobre o sucesso da música “No meio do pitiú”, Dona Onete contou que no início a música tocava no interior e era vendida em CDs piratas por camelôs, mas logo chegou às rádios e hoje é ouvida até fora do País. “Pra mim foi uma felicidade, porque já teve uma época, numa maré muito pequena que as rádios tocavam carimbó, mas logo passou e outros ritmos tomaram conta. Mas é uma dança tão ingenuamente pura, que a gente nem precisa de cavalheiro: a gente chega, dança, bebe uma jamburana, uma cachaça de jambu e dança mesmo. E uma flor no cabelo. Uma mulher não sabe o quanto é bonito botar uma flor no cabelo, uma boca pintada”, recomendou.

Por: O Liberal

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