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quinta-feira, 14 de maio de 2020

BELEM DO PARÁ: Corpo de vítima de covid-19 'explode' no PSM da 14

 | Foto: acervo pessoal.

O mestre-de-obras, Ananias Mesquita Ramos, 58 anos, deu entrada com quadro clínico de covid-19 no Pronto-Socorro Municipal de Belém (PSM) na Travessa 14 de Março, no dia 24 de abril. Segundo a família, no dia seguinte (25), Ananias entrou em contato com um irmão e pediu para que ele fosse até o local para conversar com os médicos. Depois dessa ligação, a família nunca mais conseguiu entrar em contato com o paciente.

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Segundo David Ramos, sobrinho de Ananias, foram quase cinco dias até saber o paradeiro do corpo do tio. "Meu tio André voltou no PSM no domingo, dia 26 de abril, às 17h, e perguntou pelo irmão, e  disseram para deixar nome e telefone, que iriam ligar. Segunda e terça (27 e 28), foi a mesma coisa. Na quarta (29), passamos a tarde lá querendo saber notícias, e foi quando ouvimos pessoas reclamando de um corpo de um indigente (sem identificação), que teria morrido no sábado à tarde e estava em estado de decomposição, e por conta disso, teria 'explodido'", desabafou David.

Após um momento, funcionários do local pediram para os familiares voltarem para casa que entrariam em contato, mas desconfiados do corpo do 'indigente' ser de Ananias, a família se recusou a ir e começou a pedir explicações. Depois de muita insistência, uma assistente social confirmou que o corpo seria do mestre-de-obras.

"Ela chamou o meu tio André para dentro de uma sala e explicou que o INDIGENTE, era o meu Tio Ananias. Nos deram os documentos dele, pediram desculpas e só. Meu tio morreu sábado a tarde, enquanto íamos todos os dias deixar mantimentos para ele (fralda, cobertor, etc). Quando ele deu entrada estava com a carteira com todos os documentos e preencheu ficha na entrada, então como é que isso aconteceu?", desabafa o sobrinho.

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Após isso, o corpo foi removido para o IML, mas até no local a família de Ananias teve que passar por burocracias. Isso porque Ananias ainda estava classificado como indigente, e por conta de ter 'explodido', a família teve que fazer um Boletim de Ocorrência para a liberação do cadáver. "Na delegacia, a delegada de plantão informou que era um caso de MORTE VIOLENTA, pois não tinha como reconhecer o corpo. Conseguimos a liberação, e ele foi enterrado ontem (30)".

Documento emitido pelo IML.
Documento emitido pelo IML.

O Diário Online entrou em contato e solicitou nota da Prefeitura de Belém, mas até o fechamento desta matéria ainda não havia obtido respostas. As ligações telefônicas também não foram atendidas.

Por:
Dol


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