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quinta-feira, 9 de março de 2017

Flamengo goleia o San Lorenzo na estreia na Libertadores


Diego, Trauco, Rômulo e Gabriel marcaram no Maracanã

Por: O GloboFUTEBOLTwitter
Cada vez que se ausenta por períodos mais longos, o regresso ao Maracanã promove um reencontro entre o Flamengo e seu maior patrimônio: sua gente, que se sente em casa mesmo é neste estádio. A entrada em campo, com o mosaico “Isso aqui é Flamengo”, ladeado pelo 1981, ano da conquista da Libertadores, e pelo 2017, ano do sonho, foi para guardar na memória. Este é um fato, uma história da noite de ontem no Maracanã. A outra, foi o jogo. Embora uma influencie a outra.
Pois além de lembrar, como se preciso fosse, o que significa para o futebol do Rio e para o Flamengo o Maracanã aberto e cheio, foi em sua primeira aparição do ano no estádio que o time exibiu sua melhor versão até aqui. Fez 4 a 0 num San Lorenzo que, seja por sua falta de partidas oficiais no ano, seja por falta de recursos, viveu de lampejos de trocas de passes, mas nunca foi ameaçador.
Já o Flamengo exibiu armas. Pode, por vezes, incomodar sua dificuldade para construir contra times fechados, por vezes demorar a transmitir a sensação de controlar o jogo. É verdade e, em algum momento, pode fazer falta. Ainda é preciso evoluir. Mas há, também, capacidades, algumas individuais e outras coletivas, que num torneio como a Libertadores podem ser vitais. Em especial no setor ofensivo, há jogadores com poder de decisão. Ontem, apareceu a velha capacidade de Diego de sair ao resgate em horas ruins, o bom jogo aéreo e a mostra do quanto este Flamengo se torna perigoso com espaço, contra rivais que vão para um jogo mais franco. Foi o cenário do segundo tempo, quando saíram todos os gols. Berrío se viu mais à vontade, Éverton e Gabriel também.
Num grupo que se apresenta equilibrado, sem uma força dominante ou um candidato a saco de pancadas, cada jogo tem nível alto de tensão e de decisão. Cada gol pode ser importante na matemática, o que dá peso ao placar final do jogo. Mas todo o cenário parece ter feito o Flamengo se impacientar rapidamente por deparar com suas próprias dificuldades no primeiro tempo.
É um custo para o Flamengo construir jogadas desde a defesa. Porque a tendência do time é, imediatamente, se espaçar, partir em dois: os que iniciam as jogadas e os que aprofundam demais junto a linha defensiva rival. O clarão criado no centro do campo dificulta a progressão do time através de passes. É o que cria a sensação de que o rubro-negro não tem a rédea do jogo, o controle.
As soluções, em geral, são a chance de um contragolpe ou uma bola esticada, que põe os atacantes do Flamengo em situação difícil. Num raro contra-ataque, Arão deu a Éverton a bola do primeiro tempo, mas o chute foi na trave. Numa bola esticada, a outra via, um tanto lotérica, Guerrero chutou com perigo antes do intervalo. A esta altura, o Flamengo parecia ter migrado de vez para a aposta na velocidade. Num choque de cabeça, Mancuello fora ao chão, tentara ficar no jogo, mas acabaria substituído aos 30 minutos.
O San Lorenzo parece mais afeito a este tipo de jogo tocado, de aproximações. Talvez fruto de uma cultura historicamente mais estabelecida no futebol argentino. O Brasil vive uma transição neste sentido, o que exige tempo. Mas o fato é que o time de Diego Aguirre produzia pouco por sua falta de profundidade e por um Flamengo que, defensivamente, desta vez se comportava com segurança.
O Flamengo precisava mover a bola melhor e, neste ponto, as circunstâncias ajudaram muito. Foi trocando passes, justamente o que faltara no primeiro tempo, mas também com a treinada infiltração de Éverton pelo meio que surgiu a falta na meia-lua, aos três minutos, e o gol de Diego.
Aberto o caminho, colocaram-se as condições para o Flamengo fazer o que tem de melhor: atacar o espaço com rapidez. Mas o time fez um pouco mais, após dez minutos de certa indecisão. Passou a matar longe de seu gol as tentativas do San Lorenzo de construir e controlou inteiramente o jogo. Um lance iniciado por Berrío, mas desacelerado pelo pensamento de Diego, originou o chute de Trauco e o segundo gol.
Entre a tranquilidade e o êxtase, o Maracanã viu a bola aérea originar o gol de Rômulo, Guerrero perder um pênalti e o jogo se transformar num passeio, mas também num acúmulo de confiança para um time que vinha instável. O belo gol de Gabriel, no ângulo de Torrico, fechou a noite sob o grito de “o campeão voltou”. O Flamengo sonha.

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